Confrade João Marcos Andrietta

Dirigente Vicentino: Missão e Desafios

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Podemos ter a convicção de que a Sociedade de São Vicente de Paulo cresce e se fortalece, quando acontecem três ações concretas: o comprometimento com a “razão de ser” da Entidade, que é “aliviar a miséria corporal e espiritual dos indigentes”; o trabalho organizado, efetivo e eficaz dos Confrades e das Consócias, para amenizar o sofrimento dos Pobres; e a abnegação dos dirigentes vicentinos, buscando continuamente realizar gestões profícuas nas Unidades Vicentinas.

Temos assim, de reconhecer que o serviço confiado ao dirigente vicentino é, na verdade, uma missão pela qual cabe a prática de uma atribuição que requer extrema responsabilidade e determinação para promover a dignidade dos mais necessitados e zelar pelo valioso patrimônio da SSVP.

Devemos então entender que, a missão do dirigente vicentino é um encargo que supõe obediência à Regra da SSVP, e que impõe a prestação de contas de tudo que é realizado e arrecadado em benefício dos pobres.

Sabemos também que nos dias atuais a SSVP e, por conseguinte os dirigentes vicentinos, enfrentam grandes desafios que se somam, indo das intrincadas obrigações legais e jurídicas que estão “massacrando” as Obras Unidas, até as novas formas de pobreza que estão “forçando” os Vicentinos a se adaptarem às mudanças do exercício de fazer caridade.

Apontamos – diante dessa grave problemática – quatro atitudes que podem facilitar a missão do dirigente vicentino, frente à tantas situações desafiadoras.

Esclarecemos que o quadripé de condutas – se bem vivenciadas – pode sustentar e assegurar o sucesso de todas as gestões dos dirigentes vicentinos em suas incumbências. Vejamos e julguemos:

– 1ª Atitude: Procurar. O quê procurar? Procurar as condições de miséria, fazendo o mesmo gesto de Frederico Ozanam ao conclamar seus companheiros: “Vamos aos Pobres!”;

– 2ª Atitude: Encontrar. A quem encontrar? Encontrar os Pobres, nos seus domicílios ou nos bolsões de pobreza (como favelas, cortiços ou ocupações urbanas), buscando maneiras de conseguir – com inventividade – seguir o exemplo de Vicente de Paulo, que não media esforços para socorrer as pessoas que passavam por necessidades ou sofrimentos;

– 3ª Atitude: Testemunhar. O quê testemunhar? Testemunhar que é possível trazer para a realidade – independente do contexto histórico – a sublime compaixão transformadora do “Bom Samaritano”, que cuidou, salvou, e mudou a vida do “viajante” assaltado, machucado e abandonado às margens da estrada;

– 4ª Atitude: Anunciar. Por que, o quê e a quem anunciar? Anunciar a “Boa Nova” aos Pobres, porque foi – e continua sendo – o principal
mandamento dado por Jesus aos seus discípulos, ou melhor, a todos nós: “Ide pelo mundo e pregai o Evangelho”.

Admitimos, portanto, que se o dirigente vicentino conseguir superar as duas primeiras atitudes – procurar e encontrar – serão vencidas as etapas que rompem com o comodismo, restando as fases que requerem ações diretas junto aos Pobres. São as atitudes que visam promover as pessoas vulneráveis, pelas quais os vicentinos devem testemunhar e anunciar. Dessa forma, é possível o resgate da dignidade dos Pobres e ainda motivá-los a melhorarem as suas condições de vida (social, econômica, e espiritual).

Resumindo: cabe ao Vicentino, enquanto dirigente, exercer uma missão; e como missionário, vencer “a onda” da desesperança que varre o mundo atual, e viver testemunhando e anunciando o que é proclamado no cântico do Salmo 2: “Felizes hão de ser todos aqueles que põem sua esperança no Senhor”.

Presenciamos hoje – nesta assembleia festiva – a sucessão na presidência do Conselho Particular Cristo Rei. Deixa o encargo a Consócia Lourdes e sua diretoria, e pedimos a todos que Deus retribua na justa medida tudo o que fizeram pelo bem dos Pobres. E ao Confrade Buzelli, que terá a missão de dirigir este CP, desejamos que o Espírito Santo inspire todas as suas ações em prol dos mais carentes.

Rezemos – por fim – para que os dirigentes vicentinos resistam às tentações do poder e das vaidades, disponham os seus talentos e o tempo de suas vidas a serviço dos Pobres. E quanto a nós – Confrades e Consócias – Vicentinos, com os “corações inflamados”, vamos concretizar o “sonho” de Deus, cantado aquela música do Tempo Pascal que diz assim: “Eu creio num mundo novo, pois Cristo ressuscitou!”.

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Colaboração: Confrade João Marcos Andrietta*

26 de abril de 2015.

*Confrade Andrietta é membro da Conferência Nossa Senhora da Imaculada Conceição (Salto/SP). Atualmente está licenciado para tratamento de uma doença degenerativa que paralisa os movimentos do corpo. É autor dos livros “Reflexões das Cartas de Frederico Ozanam” e “Servir com Simplicidade” (Coleção Vicentina 43 e 50

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