Confrade João Marcos Andrietta

DNA Vicentino

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Vivemos em um país que tem grande predileção por adotar o uso de gírias na linguagem escrita e falada. Tal fato suscita o surgimento de modismos, que são incorporados nos relacionamentos e diálogos do cotidiano.

Podemos exemplificar, com o intuito de atestar a afirmação acima, citando alguns jargões como: “galera”, para expressar um aglomerado de pessoas; “balada”, para mencionar uma noitada de danças; e “fria”, para destacar uma situação problemática. Em virtude dessa mania de utilizar novos modos de falar e escrever, apareceu recentemente a expressão “DNA” – que é uma sigla utilizada pelas ciências médicas para designar uma substância química, que armazena as informações genéticas do corpo humano – com o propósito de enaltecer uma marca característica, ou identificar uma pessoa ou uma organização.

Sabemos que o Vicentino também possui o seu “DNA”, ou seja, tanto as Consócias quanto os Confrades Vicentinos estão marcados – “a ferro e fogo” – com um dom especial, concedido por Deus, que é a vocação para servir aos Pobres. Contudo, o chamado para o serviço da caridade impõe alguns requisitos – incondicionais – para formar o autêntico “DNA” Vicentino. Convém reavivarmos tais exigências:

1) Vivenciar – concretamente – o anúncio do Evangelho, que enfatiza: “a fé, sem obras, não vale nada”. Portanto, a vocação vicentina está alicerçada em ações eficazes, que resultem na promoção humana e social dos Pobres;

2) Praticar – incansavelmente – o ensinamento revelado através da parábola do “Bom Samaritano”. Logo, a vocação vicentina está fundamentada na interpretação correta da “estória” contada por Jesus, que desvenda o verdadeiro significado do que é amar o próximo marginalizado e, em especial, do que realmente motiva e inspira uma atitude dirigida no sentido de aliviar o sofrimento dos mais necessitados: a compaixão;

3) Exercitar – continuamente – a lição suprema proclamada no Evangelho de Mateus (25, 40), que não deixa dúvidas sobre o rigor do Juízo Final, no “Dia da Salvação”. Assim, a vocação vicentina está estruturada no cumprimento fiel do socorro “aos menores dos Meus irmãos”, ordenado – de maneira veemente – por Deus.

Temos assim, de reconhecer que a responsabilidade dos Confrades e das Consócias é gigantesca; todavia, cabe também admitir, que Deus certamente sabe “para quem” pediu tanto. Daí a plena convicção de podermos afirmar que: o “DNA” Vicentino “armazena” o comprometimento e a obediência à Palavra de Deus, ao ponto desta marca caracterizar – ao mesmo tempo – o “DNA” da Sociedade de São Vicente de Paulo.

Destacamos, por fim, que o “DNA” da SSVP só estará assegurado se os Vicentinos perseverarem no testemunho contundente de que são verdadeiros portadores do prêmio concedido pela graça de Deus aos que seguem – radicalmente – sua “Boa Nova”, que diz: “… aquele que permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podes fazer.” (João 15, 5).

Colaboração: Confrade João Marcos Andrietta*

*Confrade Andrietta é membro da Conferência Nossa Senhora da Imaculada Conceição (Salto/SP). Atualmente está licenciado para tratamento de uma doença degenerativa que paralisa os movimentos do corpo. É autor dos livros “Reflexões das Cartas de Frederico Ozanam” e “Servir com Simplicidade” (Coleção Vicentina 43 e 50

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