Confrade João Marcos Andrietta

Vida Vicentina

artigos

Salto, Fevereiro de 2015.

Tema: Reflexão sobre a Vida Vicentina

A sabedoria nos ensina que é bom refletirmos – continuamente – a respeito das nossas vidas e, no nosso caso, como estamos conduzindo o que Deus nos chamou a fazer: vivermos a vocação Vicentina.

O momento oferece uma grande janela de oportunidades para visualizarmos a história que estamos escrevendo sobre a prática da caridade, pois nesta data celebramos a memória dos Vicentinos falecidos.

Nos dias de hoje, somos induzidos a pensar que a Vida Vicentina – de uma consócia ou de um confrade – termina com a morte.

Temos que repudiar tal pensamento, porque a vida de um Vicentino deixa marcas profundas e difíceis de apagar, tanto pelo bem que fizeram em benefício dos Pobres, quanto em prol do crescimento e fortalecimento da Sociedade de São Vicente de Paulo.

Podemos também mirar nos ensinamentos que nossos antepassados nos deixaram, através da abnegação e amor à causa daqueles que foram marginalizados socialmente e prejudicados por um sistema econômico injusto.

Assim, devemos permanecer aprendendo na escola da caridade que os nossos precursores frequentaram, e da qual tiraram a maior lição: que para servir ao próximo que padece de algum sofrimento não é necessário possuir nenhuma graduação acadêmica, mas sim uma sólida formação cristã, alicerçada em duas virtudes: humildade e simplicidade.

A humildade para reconhecer que Deus nos concedeu o dom da vida mais para servir do que para ser servido. E este foi o legado deixado por Frederico Ozanam.

A simplicidade para cumprir os deveres da vida vicentina, o que resulta em ações eficientes e eficazes. Essa herança, característica principal da nossa vocação, foi dada por Vicente de Paulo.

Buscando em nossas lembranças, conseguimos identificar facilmente muitos Vicentinos que viveram de maneira concreta as duas virtudes citadas; com empenho e dedicação deram valiosa contribuição para promover um expressivo número de Pobres, e construir e preservar o precioso patrimônio pertencente a SSVP.

Hoje nos rendemos a homenagear, sem cometer injustiças com outros que não serão mencionados, a consócia Elza Casali, falecida recentemente, e que trabalhou árdua e discretamente – sem pretender o ganho da notoriedade – em todas as cozinhas que foram montadas nos eventos Vicentinos para arrecadar recursos financeiros. Quantas recordações dessa mulher: em geral séria e calada, quase sempre fritando pastéis e com os cabelos escorrendo gordura, mas de múltiplos talentos, de bondade e generosidade invejáveis; e, acima de tudo, possuidora de imensa solicitude. “Ah”, Deus! Que saudade dela e de outras “Elzas”, “Elisas”, “Zulas”, “Saletes”, “Marias”, “Ineses”…, e tantos “Beneditos”, “Luizes”, “Josés”, “Joaquins”, “Mários”, “Pedros”, “Ettores”, “Antônios”, “Fábios”, “Jordãos”, “Henércios”, “Tercílios”, “Orlandos”, “Honórios”, “Vitórios”, “Joãos”..” É muita emoção relembrar dessas consócias e desses confrades que tiveram suas vidas Vicentinas bem vividas.

Diante das referências e bons exemplos, constatamos – tristemente – que a cultura moderna despreza o que é velho e o que envelhece. Quanta burrice das pessoas que pensam assim! Contudo, conhecemos a realidade da SSVP de Salto, e:

– Sabemos que alguns de nós – Vicentinos – estão cansados.

Entretanto, agora é o tempo para revigorar as forças e perseverar no serviço ao próximo que sofre e buscar consolo nas palavras de Ozanam: teremos a vida eterna para descansar;

– Sabemos que alguns de nós – Vicentinos – estão doentes.

Entretanto, agora é o tempo certo para aqueles que passam por alguma enfermidade dobrarem seus joelhos e rezarem para os confrades e consócias que continuam na ativa, pois dizem que: quem está enfermo se encontra mais perto de Deus;

– Sabemos que alguns de nós – Vicentinos – estão se sentindo velhos.

Entretanto, agora é o tempo certo para perguntar: qual o problema de ser velho? Então, não tem nenhum valor ter acumulado experiência e sabedoria?

Ora, comete grave equívoco quem não valoriza as pessoas, ou melhor, os Vicentinos que estão com os cabelos brancos, os olhos fundos, as mãos trêmulas, o corpo fragilizado e o rosto com rugas profundas.

Saibam todos que essas marcas fazem parte do processo natural da vida; e felizes os Vicentinos que estão envelhecendo no exercício da caridade, se esforçando para superar o cansaço, a doença e a velhice, para perdurar servindo aos pobres e se mantendo engajados na Sociedade de São Vicente de Paulo.

Certamente esses Vicentinos entenderam perfeitamente a Palavra de Deus; por isso, tenhamos cuidado enquanto nos é oferecida a oportunidade para entrar no descanso de Deus. Não aconteça que alguém de vocês fique para trás. (Hebreus 4:1).

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Colaboração: Confrade João Marcos Andrietta

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