Confrade João Marcos Andrietta

Viver para Servir

artigos

Salto, Abril de 2015.

Tema: Viver para Servir

Vivenciamos, recentemente, o Tempo da Quaresma, que foi propício para a meditação e conversão das nossas vidas rumo ao seguimento de Cristo.

Tivemos também a oportunidade de aprofundar a reflexão nos subsídios oferecidos pela Campanha da Fraternidade, que neste ano trouxe o tema “Fraternidade, Igreja e Sociedade” e, como lema, a frase do testemunho de Jesus “Eu vim para servir” (Marcos 10, 45).

Podemos alargar os limites da nossa vivência vicentina se praticarmos, com radicalidade, o ensinamento de Jesus, anunciado pelo evangelista Marcos (10, 45), que proclama a maior e melhor “regra de vida” para os cristãos e toda a humanidade, cujo verdadeiro sentido da existência dos filhos e filhas de Deus é “viver para servir”.

Temos assim a inspiração necessária para conduzirmos a nossa vocação vicentina; que é, por excelência, “servir”, sobretudo “os Pobres”. Desse modo, a data que comemoraremos neste mês, o “Dia de Frederico Ozanam”, reforça o compromisso dos homens e mulheres eleitos por Deus para dedicarem suas histórias de vida ao serviço do próximo mais vulnerável.

Devemos então nos orientarmos pelos exemplos deixados pelo Beato Frederico Ozanam; que, entre tantas lições que são referências para os Vicentinos, indicam os caminhos a serem percorridos para o exercício de uma vocação vicentina, alinhada com os seus ideais, que foram as motivações para o surgimento da Sociedade de São Vicente de Paulo.

Afirmamos que o legado de Ozanam permanece atual e espalhando o bem pelo mundo, através da promoção humana e social das pessoas que se encontram em situação de pobreza, material e/ou espiritual.

Vislumbramos, dentre os muitos conhecimentos deixados por Ozanam, as seguintes lições que norteiam a caminhada dos Vicentinos, na direção da plenitude da vivência cristã, que é o comprometimento em “dar a vida ao próximo”. Vejamos:

1ª lição: Manter sempre na memória as “raízes” que deram origem à SSVP, que foi a provocação recebida por Ozanam – de um colega de universidade – diante do questionamento de que, de nada adiantava “o discurso – das conferências de história – sem a prática”; ou melhor, “a fé sem obras é morta”;

2ª lição: Perseverar na espiritualidade vicentina, que consiste, primordialmente, na imitação das virtudes de Vicente de Paulo, que é o modelo de santidade de todos os Vicentinos;

3ª lição: Preservar o conceito de estender para todas as direções a “rede da caridade”, com o objetivo de ampliar os relevantes serviços prestados pelos Vicentinos, na busca do resgate da dignidade dos Pobres;

4ª lição: Valorizar continuamente os talentos das Consócias e dos Confrades, pois todos são dotados de capacidades e aptidões especiais, que quando disponibilizadas em benefício das pessoas carentes, possuem o efeito de grandes transformações para o bem comum;

5ª lição: Reinventar permanentemente a maneira de auxiliar os que são ou estão marginalizados socialmente, visto que os sinais dos tempos revelam profundas mudanças na miséria, gerando – a cada dia – novas formas de pobreza.

Percebemos com total nitidez que, as cinco lições deixadas por Frederico Ozanam, estão permeadas pelo anúncio – direto, enfático e contundente – de Jesus Cristo: “Eu vim para servir”.

Portanto, admitimos, com todas as evidências demonstradas, que a vocação vicentina está fundamentada em uma das expressões máximas do Cristianismo, que aponta a missão de todo homem e de toda mulher: SERVIR. Estas afirmações culminam com outra mensagem evangélica – bastante forte – que diz: “Quem não está comigo, está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa” (Lucas 11, 23).

Ressaltamos, por fim, que Deus obviamente se alegra com quem vive para servir, e dá a promessa do prêmio para aqueles que fizeram a escolha de se dispor em ficar a serviço, especialmente dos Pobres, como nós, Vicentinos: “Confia no Senhor e faze e faze o bem, e sobre a terra habitarás em segurança. Coloca no Senhor tua alegria, e ele dará o que pedir teu coração” (Salmo 36:1).

Colaboração: Confrade João Marcos Andrietta*

*Confrade Andrietta é membro da Conferência Nossa Senhora da Imaculada Conceição (Salto/SP). Atualmente está licenciado para tratamento de uma doença degenerativa que paralisa os movimentos do corpo. É autor dos livros “Reflexões das Cartas de Frederico Ozanam” e “Servir com Simplicidade” (Coleção Vicentina 43 e 50).

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